sexta-feira, 8 de outubro de 2010

PANNING

Nesse tipo de fotografia, o objeto principal fica nítido e o fundo desfocado - justamente por estar em movimento. Mas como conseguir tal efeito sem desfocar ou congelar toda a cena?




Antes de mais nada, certifique-se de que o flash esteja desligado. Ele é bastante útil quando a intenção é congelar uma cena - e não é isso que pretendemos. 

Se sua câmera possui a função "steady shot", desabilite-a também. Ela evita tremores acidentais de quem está fotografando e também ajuda a congelar a cena. É mais comum encontrar tal recurso em câmeras Sony e Panasonic.

Agora você precisa ajustar a velocidade do botão disparador. A maioria das câmeras oferece essa função para que o fotógrafo tenha a chance de sair junto na foto (aqueles 10 segundos que você tem para apertar o botão, sair correndo e fazer uma pose bonita). No caso de uma panning shot, 10 segundos é muito tempo; dois segundos seria o tempo ideal. 

Caso sua câmera permita o ajuste manual do 
tempo de exposição, selecione uma velocidade mais ou menos baixa (entre 0,5 e 1 segundo já está bom, mas isso pode variar de câmera para câmera). 


 
Vamos então ao momento da foto propriamente dito. Vá a um local movimentado, onde você possa ficar algum tempo treinando. É provável que suas primeiras fotos não fiquem muito interessantes, mas esta é uma daquelas técnicas que só serão aprimoradas depois de algum tempo de treinamento. 


 

Escolha o objeto que você deseja fotografar e comece a acompanhá-lo com a câmera (você precisará movimentar a câmera a uma velocidade quase igual a do objeto). Assim que você começar a acompanhar o objeto, pressione o botão disparador (lembre-se de que ele só registrará a imagem após dois segundos) e continue acompanhando durante mais alguns segundos.




Basicamente, é isso. Os ajustes variam de câmera para câmera, e você deve conhecer bem a sua para obter resultados satisfatórios. Se você tiver um tripé, ele poderá lhe ser útil nesse caso. Teste todos os ajustes possíveis: só assim você encontrará o ideal.





BÔNUS!
Se a sua câmera é como a minha e não permite o ajuste manual do tempo de exposição, aí vai uma dica quente! ;) 

Ao invés de ajustar a exposição de acordo com a iluminação da cena inteira ("exposure based on the entire frame"), escolha apenas um ponto central como base ("exposure based on brightness of a central point"). Fazendo isso, um pontinho aparecerá no centro da tela de LCD de sua câmera - é através desse ponto que a iluminação será medida, o que modificará o tempo de exposição.

Para uma exposição curta, mire o pontinho em um objeto claro (de preferência branco) e pressione o botão disparador até a metade; faça o enquadramento como preferir e pressione o botão até o final. Faça isso quando você quiser congelar uma cena ou caso você deseje uma imagem sub-exposta.
 
 
Iluminação medida através dos pêlos brancos do gato: a imagem ficou sub-exposta, escura demais e sem detalhes
 
 
Para uma exposição um pouco mais longa, mire o pontinho em um objeto escuro (de preferência preto) e pressione o botão disparador até a metade; faça o enquadramento como preferir e pressione o botão até o final. Faça isso quando você quiser captar movimento ou caso queira uma imagem super-exposta.
 

Iluminação medida através do sofá preto: a imagem ficou super-exposta, clara demais e com uma aparência fantasmagórica
 
 
 
 
 
 

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

BRINCANDO COM A LUZ!!!

Já falei aqui no blog sobre a importância da iluminação adequada na fotografia, e vocês também devem ter percebido isso em suas experiências pessoais. Seja num retrato ou numa landscape (paisagem), uma boa iluminação pode mudar a impressão do espectador sobre qualquer imagem: um castelo pode parecer chato sob o forte sol do meio-dia, mas ao entardecer pode formar uma silhueta de tirar o fôlego.


Sabendo usar a iluminação a seu favor, você já terá percorrido boa parte do caminho para uma boa foto. Hoje vou tratar de mais algumas fontes de luz com as quais nos deparamos freqüentemente.

LUZ SOLAR

A luz natural é uma grande aliada nossa, mas saber fotografar sob luz solar direta é uma questão de paciência e experiência. Você deve levar em consideração o horário em que a foto será tirada e que efeito essa iluminação terá sobre o resultado final (como eu disse, trata-se de uma questão de experiência). Comece a observar a incidência dos raios solares ao longo do dia: veja como eles se portam sobre edifícios, árvores, pessoas, etc., em diferentes horários. Logo, você vai se acostumar a procurar pela luz e encontrar rapidamente o melhor ângulo para fotografar em cada horário.

Para conseguir boas landscapes sob a luz do sol, o melhor é sempre investir na hora mágica: aqueles momentos que antecedem o amanhecer e o anoitecer. Uma dica valiosa, sobretudo se você pretende incluir o próprio sol no enquadramento (como na imagem abaixo).


Fotografar o sol direto em qualquer outro momento que não seja a hora mágica pode não ser uma boa idéia para nós, usuários de câmeras automáticas. É provável que aconteça o mesmo que aconteceu na foto abaixo: a câmera fica perdida diante de tanta luz e a imagem sai desfocada.


Nos retratos também é preciso tomar cuidado com a luz forte: ela pode formar sombras duras, destacando ou distorcendo algumas partes do corpo (isso ocorre muito freqüentemente com a sombra do nariz de quem está sendo fotografado); para corrigir o problema, pode ser necessário usar um flash de preenchimento. Se possível, mova o sujeito para a sombra: isso ajudará a evitar distorções e caretas estranhas.

Caso a intenção seja fotografar paisagens urbanas, o melhor momento é após as 16h dos dias ensolarados. Após esse horário, a luz incide lateralmente sobre os objetos, o que ressalta sua textura. Isso acontece porque o olho humano tende a focar automaticamente nas sombras para reconhecer diferentes formatos.

CÉU NUBLADO
Dias nublados são bons para quase todos os tipos de fotografia. Perfeitos para retratos, perfeitos para registrar detalhes arquitetônicos sem sombras que poderiam atrapalhar; também são ótimos para fotografar florestas e parques.



LÂMPADAS FLUORESCENTES

Esse tipo de lâmpada é projetado para fornecer luz difusa discreta. Portanto, é boa para fotografar em preto e branco. Só tome cuidado quando estiver tirando fotos coloridas, pois a maioria das câmeras automáticas oferece mais de uma opção de ajuste 
WB para lâmpadas fluorescentes (a minha oferece três!).


Compare a cena que você vê com a que aparece na tela de LCD da câmera para chegar ao ajuste mais adequado à situação; acredite, a escolha do tom de fluorescente errado pode estragar completamente o resultado final (basta comparar a foto de cima com a de baixo para perceber a diferença gritante). 
LÂMPADAS DE TUNGSTÊNIO

Lâmpadas incandescentes emitem uma luz mais amarelada, o que transmite às imagens a sensação de calor. Esse tipo de lâmpada geralmente é responsável pela iluminação das ruas. Se você já tirou várias fotos noturnas na rua e saíram todas borradas, a culpa é das lâmpadas de tungstênio! Ok, deixando as gracinhas de lado agora: você precisa ter um bom apoio para conseguir uma foto definida com esse balanço de brancos; utilize um tripé, apóie a câmera em uma superfície (ou sente em um banco, dobre o joelho próximo ao peito e firme a câmera sobre ele - é o que eu faço quando não resta outra opção).

Você pode usar esse ajuste de WB para fotografar as chamas do fogo, raios, ou qualquer outra fonte que emita luz amarelada. 

Se você estiver fotografando com luz natural e tiver alguma lâmpada incandescente por perto, faça um teste: ligue-a e fotografe o assunto para ver o resultado. Uma boa dica para quando você quiser deixar suas fotos com um aspecto mais aconchegante.




     

NÃO SE DEIXE ENGANAR PELO CLIMA!

Qualquer clima é adequado para fotografar, e até mesmo os dias mais "feios" podem resultar em imagens fantásticas.
Para retratos, prefira sempre dias nublados. Nesses dias a luz é mais difusa, o que evita sombras duras nos contornos do rosto e corpo. Dias nublados também são ótimos para fotografar flores e plantas.
Dias de chuva criam efeitos maravilhosos com as gotas que se formam em plantas ou objetos .
Dias de sol, criam sombras que delimitam silhuetas, e que podem ser exporadas com a criação de fotos em contra luz.
Notem as diferenças das 3 imagens abaixo.


 Foto feita em dia nublado, notem que a iluminação fica mais difusa e não cria sombras acentuadas.


 Foto feita em dia de sol, notem que as sombras criadas pelo sol, são bem acentuadas.


Foto feita em dia de chuva, notem que as gotas criaram um efeito que lembram cristais.



Está chovendo? Não há motivo para desânimo. Poças d'água no asfalto refletem o céu e a luz dos faróis e dos semáforos: é a condição ideal para transmitir a sensação de movimento. Só tome cuidado para não molhar sua câmera!


 Foto feita por minha aluna Melina, ela explorou muito bem a poça como espelho.



O clima pode alterar drasticamente o "humor" de uma fotografia. Em um dia nublado, o mesmo local pode parecer completamente diferente dos dias ensolarados. Aproveite todas as condições climáticas: neblina, chuva, neve (isso é: se você tem a sorte de morar em um país onde neva no inverno).
Foto feita pelo meu aluno Felipe, notem que ele soube explorar a neblina para conseguir um ar sombrio



MELHORES HORÁRIOS PARA FOTOGRAFAR COM LUZ NATURAL

Nem sempre podemos nos dar ao luxo de sentar e ficar esperando uma boa luz para começar a fotografar. Mas se você já sabe o que vai encontrar pelo caminho, pode programar seu dia de acordo com a luminosidade de cada horário do dia.

  • Você está viajando e quer uma foto panorâmica para recordar a cidade? Evite horários próximos ao meio-dia. Se puder, fotografe paisagens ao amanhecer ou pôr-do-sol;
  • Se a intenção é fotografar construções arquitetônicas, o melhor momento é após as 16h dos dias ensolarados. Após esse horário, a luz incide lateralmente sobre os objetos, o que ressalta sua textura;
  • Para fotografar lagos, dias calmos e com pouco vento são ideais. Você conseguirá registrar bons reflexos;
  • A iluminação de um final de tarde ensolarado permite que você capture imagens com um tom mais romântico. Aproveite as silhuetas e brinque com as formas.





 
 

O QUE VOCÊ ESTÁ FOTOGRAFANDO?

A primeira coisa que você pode se perguntar é: o que eu quero fotografar?
Se encontrar algo que você ache interessante ou bonito, pergunte-se: o que isso tem para que eu o veja dessa maneira? Por exemplo, caso o assunto em questão seja uma paisagem, observe o seguinte: tem alguma árvore que chama a atenção de seus olhos, um lago, ou as montanhas no horizonte? Ou tudo isso?



Pensar dessa forma ajuda a identificar os elementos-chave que você deseja capturar. Agora, tente preencher sua foto com esses elementos, eliminando todos os elementos desnecessários (que servem apenas para distrair o observador do assunto principal).
Vamos supor que você esteja fotografando uma pessoa. Tenha certeza que você está perto o bastante para vê-la claramente, e preste atenção ao fundo... você realmente quer que aquela cadeira apareça? Há alguma coisa chamando muita atenção na composição? Se você mudar de posição ou de ângulo, talvez consiga deixar de fora esses objetos indesejáveis.